Mistérios Gozosos

Rezam-se à segunda-feira e sábado
Rezar estes mistérios no Rosarium
Primeiro Mistério GozosoA Anunciação do Anjo a Nossa Senhora
Fruto do mistério: Humildade
Escritura · Lc 1, 26–38
E estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade de Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão, que se chamava José, da casa de David, e o nome da virgem era Maria. Entrando pois o anjo onde ela estava, disse-lhe: Deus te salve, cheia de graça: o Senhor é contigo: Benta és tu entre as mulheres. Ela como o ouviu, turbou-se do seu falar, e discorria pensativa, que saudação seria esta. Então o anjo lhe disse: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus: eis conceberás no teu ventre, e parirás um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus: este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David: e reinará eternamente na casa de Jacob, e o seu reino não terá fim. E disse Maria ao anjo: Como se fará isso: pois eu não conheço varão? E respondendo o anjo, lhe disse: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá da sua sombra. E por isso mesmo o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus. Que, aí tens tu a Isabel tua parenta, que até concebeu um filho na sua velhice: e este é o sexto mês da que se diz estéril: porque a Deus nada é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim, segundo a tua palavra. E o anjo se apartou dela.
Lc 1, 26–38 · Bíblia Sagrada, trad. António Pereira de Figueiredo (ed. 1866; ortografia atualizada)
Meditação
Entremos numa pequena casa de Nazaré. É uma hora como tantas outras; talvez Maria esteja a rezar, talvez a trabalhar. A saudação do anjo rompe o silêncio: «Deus te salve, cheia de graça». Ela perturba-se, pondera, faz uma pergunta simples. Chega então a palavra de que depende a nossa salvação, o «fiat com que Ela corresponde prontamente à vontade de Deus». Nesse instante, o Filho eterno faz-se carne no seu seio. Deus não se apodera: pede, e espera o livre consentimento de uma criatura. Maria chama-se a si mesma apenas a escrava do Senhor. A sua grandeza é a sua pequenez, aberta de par em par à graça. Peçamos-lhe que nos ensine esse sim humilde, pronunciado sem saber aonde conduz.
Cf. Rosarium Virginis Mariae, 20
Contemplar: Onde me está Deus a pedir hoje o meu «sim» humilde?
Por este mistério, peçamos a graça da humildade.
Segundo Mistério GozosoA Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel

Fruto do mistério: Amor ao próximo
Escritura · Lc 1, 39–45
E naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá: e entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel. E aconteceu que tanto que Isabel ouviu a saudação de Maria, deu o menino saltos no seu ventre: e Isabel ficou cheia do Espírito Santo: e bradou em alta voz, e disse: Benta és tu entre as mulheres, e bento é o fruto do teu ventre. E donde a mim esta dita, que venha visitar-me a que é mãe de meu Senhor? Porque assim que chegou a voz da tua saudação aos meus ouvidos, logo o menino deu saltos de prazer no meu ventre. E bem-aventurado tu, que creste, porque se hão de cumprir as cousas, que da parte do Senhor te foram ditas.
Lc 1, 39–45 · Bíblia Sagrada, trad. António Pereira de Figueiredo (ed. 1866; ortografia atualizada)
Meditação
Imaginemos o longo caminho pela região montanhosa, e uma jovem que o percorre apressada. Maria acaba de receber a maior notícia da história, e o seu primeiro pensamento é para outra pessoa: a sua prima idosa, grávida de seis meses. Leva Cristo escondido dentro de si, e aonde ela vai, ele vai. Ao som da sua saudação, o pequeno João, ainda no ventre, é levado a «saltar de alegria», e Isabel, cheia do Espírito Santo, exclama as palavras que repetimos em cada Avé Maria. A caridade não é aqui uma ideia, mas um caminho, uma porta aberta, uma voz que traz alegria. Peçamos um amor que saia depressa ao encontro dos outros, levando Jesus aos que o esperam, muitas vezes sem o saberem.
Cf. Rosarium Virginis Mariae, 20
Contemplar: Quem está à espera de que eu o visite, lhe telefone ou simplesmente apareça?
Por este mistério, peçamos a graça do amor ao próximo.
Terceiro Mistério GozosoO Nascimento de Jesus em Belém

Fruto do mistério: Pobreza de espírito
Escritura · Lc 2, 4–14
E subiu também José de Galileia, da cidade de Nazaré à Judeia, à cidade de David, que se chamava Belém: porque era da casa, e família de David, para se alistar com a sua esposa Maria que estava pejada. E estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que havia de parir. E pariu a seu Filho Primogénito, e o enfaixou, e o reclinou em uma manjedoura: porque não havia lugar para eles na estalagem. Ora naquela mesma comarca havia uns pastores, que vigiavam, e revezavam entre si as vigílias da noite, para guardarem o seu rebanho. E eis que se apresentou junto deles um anjo do Senhor, e a claridade de Deus os cercou de refulgente luz, e tiveram grande temor. Porém o anjo lhes disse: Não temais: porque eis aqui vos venho anunciar um grande gozo, que o será para todo o povo. E é que hoje vos nasceu na cidade de David o Salvador, que é o Cristo Senhor. E este é o sinal que vo-lo fará conhecer: Achareis um menino envolto em panos, e posto em uma manjedoura. E subitamente apareceu com o anjo uma multidão numerosa da milícia celestial, que louvavam a Deus, e diziam: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, a quem ele quer bem.
Lc 2, 4–14 · Bíblia Sagrada, trad. António Pereira de Figueiredo (ed. 1866; ortografia atualizada)
Meditação
Detenhamo-nos à entrada do estábulo de Belém. A noite está fria; o ar cheira a palha e a animais. Não havia lugar na estalagem, e por isso o Filho de Deus é reclinado numa manjedoura, envolto em panos pelas mãos de sua mãe. O Criador das estrelas chega sem nada, precisando de tudo, e assim torna-se acessível a todos. Lá fora, nos campos, os pastores, pobres e vigilantes, são os primeiros a ouvir o anúncio de «uma grande alegria». Deus deixa-se encontrar por quem tem as mãos vazias. Peçamos a pobreza de espírito: a liberdade de precisar de Deus, e de lhe fazer lugar onde o mundo não tem nenhum.
Cf. Rosarium Virginis Mariae, 20
Contemplar: A que me agarro que não deixa lugar a Cristo?
Por este mistério, peçamos a graça da pobreza de espírito.
Quarto Mistério GozosoA Apresentação do Menino Jesus no Templo

Fruto do mistério: Obediência
Escritura · Lc 2, 22–35
E depois que foram concluídos os dias da purificação de Maria segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor, segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o filho macho, que for primogénito, será consagrado ao Senhor: e para oferecerem em sacrifício, conforme ao que está mandado na lei do Senhor, um par de rolas, ou dois pombinhos. E havia então em Jerusalém um homem chamado Simeão, e este homem justo, e timorato esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. E havia recebido resposta do Espírito Santo, que ele não veria a morte, sem ver primeiro ao Cristo do Senhor. E veio por espírito ao templo. E trazendo os pais ao menino Jesus, para cumprirem com o preceito, segundo o costume da lei por ele: então o tomou em seus braços Simeão, e louvou a Deus, e disse: Agora é, Senhor, que tu despedes ao teu servo em paz, segundo a tua palavra: porque já os meus olhos viram o Salvador, que tu nos deste, o qual aparelhaste ante a face de todos os povos: como lume para ser revelado aos Gentios, e para glória do teu povo de Israel. E seu pai, e mãe estavam admirados daquelas cousas, que dele se diziam. E Simeão os abençoou, e disse para Maria sua mãe: Eis aqui está posto este menino para ruína, e para salvação de muitos em Israel: e para ser o alvo, a que atire a contradição: e será esta uma espada que traspassará a tua mesma alma, a fim de se descobrirem os pensamentos que muitos terão escondidos nos corações.
Lc 2, 22–35 · Bíblia Sagrada, trad. António Pereira de Figueiredo (ed. 1866; ortografia atualizada)
Meditação
Quarenta dias depois do nascimento, um jovem casal sobe os degraus do Templo de Jerusalém. São pobres; a sua oferta é um par de rolas. Vêm simplesmente fazer o que a Lei do Senhor pede, e nessa obediência silenciosa colocam o Filho de Deus nas mãos de seu Pai. Então o velho Simeão toma o Menino nos braços e bendiz a Deus: agora pode partir em paz. Mas fala também de um «sinal de contradição», e de uma espada que há de trespassar a alma de Maria. A obediência não é aqui um dever frio; é oferta. Peçamos a graça de colocar a nossa vida, e a daqueles que amamos, nas mãos de Deus.
Cf. Rosarium Virginis Mariae, 20
Contemplar: O que me pede Deus hoje que lhe devolva em oferta?
Por este mistério, peçamos a graça da obediência.
Quinto Mistério GozosoO Encontro do Menino Jesus no Templo

Fruto do mistério: Piedade
Escritura · Lc 2, 41–52
E seus pais iam todos os anos a Jerusalém no dia solene da Páscoa. E quando teve doze anos, subindo eles a Jerusalém segundo o costume do dia da festa, e acabados os dias que ela durava, quando voltaram para casa, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o advertissem. E crendo que ele viria com os da comitiva, andaram caminho de um dia, e o buscavam entre os parentes e conhecidos. E como o não achassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que três dias depois o acharam no templo assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e fazendo-lhes perguntas. E todos os que o ouviam, estavam pasmados da sua inteligência, e das suas respostas. E quando o viram se admiraram. E sua mãe lhe disse: Filho, porque usaste assim connosco? sabe que teu pai e eu te andávamos buscando cheios de aflição. E ele lhes respondeu: Para que me buscáveis? não sabíeis que importa ocupar-me nas cousas que são do serviço de meu Pai. Mas eles não entenderam a palavra, que lhes disse. E desceu com eles, e veio a Nazaré: e estava à obediência deles. E sua mãe conservava todas estas palavras no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, e em idade, e em graça diante de Deus, e dos homens.
Lc 2, 41–52 · Bíblia Sagrada, trad. António Pereira de Figueiredo (ed. 1866; ortografia atualizada)
Meditação
Imaginemos três dias de busca: as estradas apinhadas, as perguntas ansiosas entre parentes, o regresso a uma cidade cheia de peregrinos. Depois, no Templo, Maria e José encontram Jesus sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. «Filho, porque usaste assim connosco?» A sua resposta revela quem ele é: o Filho «totalmente dedicado às coisas do Pai». Eles não compreendem, mas Maria conserva todas estas palavras no seu coração, e Jesus desce com eles para Nazaré, obediente. A piedade é isto: pertencer primeiro ao Pai, e procurá-lo de todo o coração quando parece perdido. Peçamos essa devoção amorosa, e a paciência de meditar o que ainda não compreendemos.
Cf. Rosarium Virginis Mariae, 20
Contemplar: Quando Jesus me parece perdido, onde o vou procurar?
Por este mistério, peçamos a graça da piedade.